Machismo? Saiba qual autora de novela das seis entrou na Justiça contra Globo exigindo igualdade salarial

Logo da Globo (Foto: Divulgação)

Autora de novelas das seis famosas da Globo, Jackie Vellego teve uma passagem que durou 23 anos pela emissora carioca. O ciclo encerrou-se em 2017 e o relacionamento amigável deu lugar à uma disputa judicial. A novelista exige reparação por desigualdade salarial.

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Ela ajudava Walther Negrão na escrita de tramas como Araguaia (2011), Como Uma Onda (2004), Sol Nascente (2016) e dentre outras. O trabalho era dividido com Fausto Galvão, o qual ela alega ter recebido um salário maior ocupando a mesma função.

Esta reclamação faz parte do machismo estrutural, combatido fortemente por movimentos feministas. Segundo especialistas, este tipo de machismo se faz presente principalmente nas organizações, com homens recebendo um salário superior ao de mulheres apenas por conta do gênero.

De acordo com informações do Notícias da TV, a autora quer uma reparação em torno de R$ 2,1 milhões, valor que teria deixado de receber devido a desigualdade salarial. O processo corre em segredo de Justiça, na 33ª Vara do Trabalho no Rio de Janeiro.

Em uma das partes do processo, a Globo se defende alegando que Fausto Galvão recebia um valor maior porque ele era mais experiente. Por conta disto, o autor também colaborava em novelas das nove.

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Fausto faz parte do time de escritores de A Favorita, novela de 2008 que está sendo reprisada atualmente pelo Vale a Pena Ver de Novo. Jackie Vellego passou duas décadas no time de colaboradores da Globo, tempo suficiente para adquirir qualquer experiência possível.

Jackie Vellego foi uma autora da Globo (Foto: Divulgação)

A defesa da Globo também disse que o cargo de autor-roteirista pesou contra o fato de Vellego não receber um salário maior. Por meio de sua assessoria jurídica, a autora rebateu explicando que esta justificativa não é plausível: “A função do autor-roteirista é auxiliar à do autor principal, escrevendo cenas e diálogos, criando ou adaptando textos preexistentes“.

Solicitando reparação pelos valores não-recebidos por Araguaia (2011), Como Uma Onda (2004) e Sol Nascente (2016), a Justiça deu direito à ex-autora global receber a reparação salarial apenas sobre a última novela citada.

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Quanto às demais, o processo foi negado. Também, a decisão judicial negou qualquer machismo estrutural na decisão da Globo em pagar proventos superiores à um funcionário homem, porque “não foi produzida nenhuma prova” e nem tampouco “qualquer indício de política discriminatória“.

Dos R$ 2 milhões, Jackie Vellego conseguiu R$ 700 mil. A autora ainda vai recorrer da decisão. Procurada, a Globo afirma não comentar casos judiciais. Já a ex-funcionária da emissora se pronunciou confirmando o caso.

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