Tela Crente? Três novelas da Record que foram prejudicadas por interferências da igreja

Cristiane Cardoso comanda a teledramaturgia da Record - Foto: Reprodução
Cristiane Cardoso comanda a teledramaturgia da Record (Foto: Reprodução)

Na última quarta-feira, 25 de agosto, foi notícia aqui no Resumo das Novelas Online e você conferiu que a Record quer oficializar a interferência da igreja em seu setor de teledramaturgia. Isto sempre aconteceu desde quando Cristiane Cardoso, filha do proprietário da emissora, assumiu a teledramaturgia e interferiu diretamente nas decisões dos criadores das obras que estavam sendo exibidas.

Porém, segundo os relatos que constam nos bastidores, esta implantação de ideologia cristã será institucionalizada em todos os enredos, com inspiração em um formato adotado pela Globo na época de Boni. Os globais tentaram implantar, a partir de suas novelas, um padrão social brasileiro. Da mesma forma, Cristiane Cardoso quer que isto aconteça, com a diferença de que as novelas da Record sejam um modelo social cristão a ser seguido no país.

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Os especialistas no setor garantem que esta limitação de criatividade e consequente criação de um mundo irreal por conta destas interferências vão muito além da lógica de produções fictícias. Ainda, pode colocar em risco o futuro de uma sociedade que não compreenda as diferenças existentes entre as pessoas, credos e classes sociais, uma vez que criar ideologia enviesada a uma única religião pode comprometer a pluralidade de um país com dimensões continentais. Fora parte o que apontam os especialistas, vamos relatar alguns exemplos de novelas que foram prejudicadas por estas interferências:

Apocalipse

A novela de Vivian de Oliveira veio com pompa em 2017, autointitulada “superprodução” pelo fato de ser escrita pela mesma autora do fenômeno Os Dez Mandamentos, mas quando chegou não fez o mesmo estrondo anunciado. O folhetim não empolgou e atingiu média geral de 5,6 pontos, uma das piores desde 2013. O jornalista Flávio Ricco atribui este fracasso ao fato de que a equipe de redatores da novela trabalhavam no limite, diante das constantes mudanças impostas pela igreja nos roteiros.

Autora Vivian de Oliveira da Record TV
Vivian de Oliveira, autora de Apocalipse (Foto: Divulgação)

Gênesis

Atualmente no ar, Gênesis foi outra “superprodução” anunciada. Porém, neste caso em específico, além da audiência baixa, teve a questão da polêmica em que o autor da novela pediu demissão, por se achar um fantoche diante das circunstâncias pelas quais o estavam sendo impostas. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o autor Emilio Boechat revelou todos os detalhes dos bastidores, falando inclusive do estresse que Vivian de Oliveira passou com as interferências da igreja na época de Apocalipse.

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Oscar Magrini interpreta Noé em Gênesis (Foto: Reprodução)

“Em Apocalipse que escrevi com a Vivian de Oliveira, lembro de ela ter ficado bem incomodada com os pedidos recorrentes de alterações. Ela ainda discutia e colocava seu ponto de vista, mas ela foi afastada. Para um autor com ideias, ficou um ambiente difícil de se trabalhar. Muitas coisas que eram decididas e aprovadas, eles mudavam de ideia depois. Às vezes aprovavam 15 capítulos e depois alteravam. Era meio esquizofrênico”, afirmou Emilio Boechat, responsável por adaptar o texto bíblico de Gênesis ao formato de telenovela.

Amor Sem Igual 

Inspirada na história de superação de Andressa Urach após se converter, Amor Sem Igual (2020) tinha de tudo para ser um sucesso. Tinha em seu elenco nomes como Rafael Sardão, Thiago Rodrigues, Ernani Moraes, Sthefany Brito, Barbara França e dentre outros. A novela teria como protagonista uma prostituta livre e desimpedida que, ao final da novela, se converteria.

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Poderosa era a protagonista interpretada por Day Mesquita em Amor Sem Igual (Foto: Divulgação)

Tudo estaria nos conformes, se não fosse o fato da vida de prostituição ter sido exibida de uma maneira light após interferências da igreja na novela. Para Tony Goes, colunista do jornal Folha de S. Paulo, Amor Sem Igual chega a ser melhor que a antecessora Topíssima, mas ainda assim é “pueril e antiquada”. Além de tudo, a média de audiência da novela foi morna. Teve uma leve superação de 0,5 pontos em relação a Topíssima.

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